
Achei que nunca chegaria a esse ponto: te expulsar daqui. Você apareceu e se apropriou de mim. Fez de mim uma coisa insuportável a mim mesma. Passei anos trancada, sem consegui abrir as asas para voar, sem conseguir respirar direito, sem conseguir viver. Mas agora chegou a hora de te ver partir, de te deixar flutuar para longe de mim. Pode ir solidão, mas vai para sempre, vai sem olhar para trás, sem sentir saudades de mim. Vai!
Luana C.
Escuro, úmido e vazio. Percorro este caminho todos os dias, várias e várias vezes. Um ciclo repetitivo e vital. Não estou literalmente vivo, mais trago a vida, carrego-a até seu dono. Me sinto importante, uma tarefa difícil de ser realizada, uma falha e a vida se vai.
Palavras que ferem a alma, são como cactos ferindo suas mãos. Elas dilaceram sentimentos e fazem sangrar seus sonhos. O vermelho vivo escorre por entre os dedos, deixando marcas profundas na pele – e no coração. Difícil é conseguir viver a sombra disso. No canto da mesinha, onde há minha coleção de vasinhos com cactos de todas as espécies e tamanhos, eu guardo as palavras proferidas que me fizeram adoecer. Com eles estão todos os sentimentos e sonhos, um dia tão vivos em mim. É com eles que me vejo agora.
Versos conversam em cada nota, tudo passa pela minha porta.
