
Te deixei ir pensando que assim você voltaria mais rápido, por inteiro, sem metades sem meias verdades.




A saudade arrebata, ela chega sem avisar, não bate na porta, não pede licença para entrar. Ela simplesmente entra. Não quer saber se você pode recebê-la ou não, se você tem algo para oferecer, ou se você ao menos está em condições de receber alguém. Não interessa, não para ela, ela só quer entrar. Ela só quer te tirar o seu sossego, trazer de volta o que você achou que tivesse escondido ou bem guardado. Ela vem para mostrar que não adianta tapar buraco, um dia ele vai abrir, não tem jeito.
E quando ela chega, eu me perco. Tudo que eu achava que estava em ordem, vira uma bagunça em segundos. É como se eu estivesse abrindo uma caixa de recordações, vem tudo a tona. Os sonhos, as fotos, as horas, os dias, as risadas, os abraços, as pessoas, tudo. A minha vontade é de poder entrar naquela caixa junto com todas as lembranças, poder reviver tudo de novo. Mas não dá, já passou, o tempo acabou o meu tempo acabou.
Mas a saudade não entende isso, e então eu a ofereço um chá com biscoitos. Sento no sofá e a deixo bagunçar não só a minha sala de estar mais também a minha vida, nem que seja por 5 ou 15 minutos. Eu deixo por que sei que não há como lutar contra ela. Então me rendo logo para ser mais rápido e menos doloroso.
E assim eu vou a alimentando e revivendo tudo que me trás saudade, tudo que me tira lágrimas e sorrisos ao mesmo tempo, tudo o que me faz ser o que sou hoje.