
Te deixei ir pensando que assim você voltaria mais rápido, por inteiro, sem metades sem meias verdades.




Quando eu era pequena meu quarto já era rodeado de livros, as estantes estavam lotadas de contos de fadas.
Me lembro que era uma coletânea da Xuxa chamada “Conte outra Vez” e além dos livros, tinha também fitas cassetes com as histórias narradas.
Eu era apaixonada por aquele universo paralelo o qual me mostraram.
Cinderela, A Bela Adormecida, Rapunzel, A Fada Pluminha, etc…
Eu me imaginava em cada cena, em cada página, em cada pedacinho daquelas histórias.
Príncipes, madrastas, vestidos, sapatinhos de cristais, todos esses elementos faziam parte daquele meu mundinho de fantasias.
Na minha imaginação tudo funcionava em perfeita harmonia, como minha mãe insistia em dizer eu era uma princesa. A Princesa dela!
Só!
Ponto Final!
Mas para o mundo eu era apenas mais uma garotinha comum, que acreditava em era uma vez e felizes para sempre. E o mundo ‘real’ pode ser bem cruel em alguns casos.
E ele foi!
Aprendi da pior forma que tudo aquilo eram apenas ‘contos’ e nada mais.
Passado um tempo percebi que naquelas histórias eu o patinho feio e não a Cinderela como sempre fantasiei. Pobre criança ingênua!
Eu mal sabia que o patinho feio era bem mais que uma mera princesa.
Ah desde sempre inocente, desde sempre encantada por palavras, desde sempre crente no amor,desde sempre um conto e não apenas um nome.
Um conto desconstruído pela realidade.
Nada de vestidos, castelos, cavalos brancos e principalmente nada de príncipes encantados.
Para ser sincera eu sempre preferi os ‘sapos.
A esqueci de me apresentar, prazer me chamo: Nathalya Monteiro!
Uma eterna apaixonada por histórias e finais felizes!

Ela era pequena quando tudo começou.
Não lembra exatamente das datas, nem dos detalhes, só se lembra de ter o conhecido.
Ele se apresentou dizendo que se não fosse por ele, ela não existiria.
E obviamente a menina não entendeu nada, afinal ela era apenas uma criança.
Mas com o passar dos anos, Flora foi o reconhecendo em algumas esquinas, nos parques, atrás de alguns muros, em cinemas e às vezes na sua própria casa.
De vez encontra esbarra por ele nos quartos, ele estava sempre escondido, atrás de cortinas ou embaixo das camas.
A menina foi se acostumando com a presença do dele, todos os dias ela o procurava pelos cantos da casa.
Mas ás vezes ele sumia, simplesmente desaparecia e era sempre nos piores momentos.
Ele a abandonava e isso a deixava desolada.
Quando ele não estava por perto, era tudo um caos.
Só restavam gritos e lágrimas.
Os dias eram incolores.
Flora foi crescendo e criando certo bloqueio.
Não queria mais encontrá-lo, não acreditava mais em nada.
Ela vivia fugindo.
O máximo que se permitia era ver alguns filmes os quais ele participava ou muitas das vezes era o protagonista.
E assim a meninas foi levando a vida.
Uma eterna brincadeira de esconde e esconde.
Quando ele tentava a encontrar era ela quem se escondia.
Inverso.
A menina tinha medo dele, as lembranças do abandono a consumiam.
Hoje a menina percebeu que você não era culpado de nada.
Percebeu que a sua tarefa era trazes felicidade.
Aprendeu isso quando finalmente deixou que ele se aproximasse novamente.
Ela deixou que ele a tomasse nos braços e a carregasse consigo.
E a sensação foi maravilhosa.
Durou pouco, mais o bastante para Flora.
Quando partiu ela não o culpou.
Desistiu do esconde, esconde.
Mesmo sabendo que realidade a machucaria mais que a brincadeira.
Flora decidiu deixar a porta aberta para ele sempre.
Está disposta a receber suas visitas.
Está disposta a arrumar a bagunça que fica toda vez ele vai embora.
Mas ela sabe que um dia ele vem e traz toda a bagagem junto.
Sem pressa, sem medo.
Sabe amor, a culpa não é sua! A culpa é de quem não sabe ter você por perto. A Culpa é minha, a culpa é do Destino!