Devaneios da Nathy

Roda-Gigante

Roda-Gigante

E aí o mundo gira, feito roda gigante .. Vai girando, girando, girando até você não aguentar mais dar voltas e voltas no ar e pedir para descer. Chega no chão, e a cabeça continua a girar, os pés procuram a direção certa mais não encontra. Seus olhos embaçados procuram foco, mais cadê? Ta tudo rodando ainda na mesma intensidade de segundos atrás, é como se o corpo flutua-se no ar … nada o prende, ele está livre, mais por pouco tempo. Alguns minutos depois o sentido volta e você percebe que depois de dar tantas voltas, voltou ao mesmo lugar, mais agora tá tudo diferente. Tá de cabeça para baixo, tá revirado, tá bagunçado. E aí você se pergunta, como? Como deixou isso acontecer? Você pensa em voltar, e fazer de novo, pensa em dar um replay na vida, mas é impossível. O que você viveu no minuto passado já não volta mais, já foi, passou, já era. E agora? Como se conserta o que não tem conserto? Como se organiza essa bagunça? A cabeça pesa, os olhos ardem, e algumas lágrimas frias escorrem pela face, não tem mais saída, o que pode ser feito é se jogar. Isso mesmo se jogar sem medo e arrumar toda essa bagunça, tentar achar o lado certo, tentar fazer o certo, sem medo de dar errado, sem temer o passado, sem vislumbrar o futuro, apenas almejando o presente, porque é nele que as coisas tomam forma.

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Devaneios da Nathy

Incompleta

Incompleta

Ela teve um dia cheio, na verdade ela estava cheia. Cheia de dores, lágrimas, ela estava a ponto de desabar. Faltava muito pouco para isso acontecer. Ela nunca tinha se permitido amar, ela criou um bloqueio, simplesmente não deixava ninguém ficar ao seu lado mais de uma vez, não dava telefone para os que insistiam,e sempre mentia o nome para os que não a interessavam. Ela só se deixava amar as coisas a sua volta apenas objetos, lugares e pessoas a quem poderia contar com a amizade apenas. Ela guardava muito consigo, nunca se permitiu sentir as tais borboletas no estômago, e olha que lá no fundo ela morria de vontade de um dia ter tal experiência. Ela via filmes românticos e acreditava que aquilo nunca sairam das telas do cinema. A menina era incompleta, ela era sozinha mesmo sem admitir isso para ninguém, ela era só. Nutria sim sentimentos relacionados ao amor, guardava pessoas em um cantinho no lado esquerdo do peito, mas havia mais espaço, faltava a peça principal. Um dia quando a menina menos esperava ela encontrou alguém, alguém que ela jamais pensou encontrar. Ela se permitiu, ela deixou o amor entrar, ela o acolheu e aprendeu a conviver com ele. Mas a menina nunca imaginou que amar podia ter seu lado negativo, que as vezes podia arder, ela nunca imaginou que choraria por alguém, ela achava clichês demais. Mas hoje por exemplo a menina derrama algumas lágrimas, ela finalmente se rendeu ao amor.

Devaneios da Nathy

Montanha-Russa

Imagem

 

Cada dia que passa tenho mais certeza de que a vida é uma eterna montanha-russa. Literalmente vivemos diariamente em um parque de diversão, tem horas que estamos radiantes, gargalhando com os amigos em uma disputa no bate-bate, porém tem horas que o medo nos invade quando percebemos que ta chegando a hora de entrar na Casa dos horrores, e é nessa hora que precisamos de alguém ao nosso lado, para nos proteger  para amparar. E por fim chega a hora da temida montanha-russa, é um mix de alegria, adrenalina e medo. A sensação ao sair é revigorante, é como se fossemos capazes de tudo depois dessa experiência  A vida é assim mesmo alegria, medo, determinação, coragem, amor, um verdadeiro mix. A questão é que tudo na vida é passageiro, então aproveite o máximo cada segundo, imagine que você está realmente em um dos maiores parques do mundo e tem apenas horas para se divertir e aproveitar todos os brinquedos, não tenha medo de cair, de correr, de chorar e muito menos de sorrir. Viva!

Devaneios da Nathy

A Partida

A Partida

Nada doí mais que a partida … Seja para perto, seja para longe, seja por dias, meses ou anos. Doí da mesma forma, mesmo você sabendo que a pessoa irá voltar, mesmo sabendo que é questão de tempo doí, fere, corta, sangra. E quando a partida é eterna? Quando é para sempre? O que fazer? A falta preenche o espaço lúcido e sóbrio de nossa mente, a saudade eterniza os momentos felizes, e o coração? Ah o coração guarda o amor, ele guarda a pessoa em si, ela fica ali inteira, intacta para sempre. Mesmo que só se possa sentir o amor, mesmo que não se veja mais. Mesmo assim o sentimento continua, a saudade vai aumentar e a dor, vai correndo tudo que nos resta, até ser estagnada, até se encontrar com as lembranças. O tempo vai amenizando a dor, mais a ferida causada pela partida não tem remédio, não cicatriza nunca.

Devaneios da Nathy

Pedaços

Pedaços

Um dia comum, o retrato de uma família unida reluzia no vidro do porta-retratos, que enfeitava a estante daquela sala tão harmônica. Meus olhos ficaram presos e imersos na felicidade que estava estampada naquela fotografia, por alguns minutos. Pensei que tal interesse e atenção fosse algo natural, afinal era uma bela imagem. Distanciei-me do cômodo e voltei a minha intrigante realidade. As horas passaram e a rotina manteve-se longe nesse longo e confuso dia. Já era tarde quando voltava para casa, estava fazendo um caminho diferente nessa noite, não sei por que mais senti vontade de vislumbrar o mar. Foi nesse instante que a natureza me envolveu delicadamente, o barulho das ondas do mar ecoavam em meus ouvidos, as árvores dançavam silenciosamente na companhia do vento. E foi neste momento, encostada naquele vidro, imersa naquela paisagem deslumbrante que mais uma vez eu me senti oca. A sensação era como se eu estive me observando, como se eu fizesse parte daquela cena, era como se estive imersa naquelas águas, envolta pelas lembranças fantasiosas da minha alma. Sem muito pensar, troque de posição bruscamente, voltando assim a minha realidade. Agora estou aqui, deitada novamente em minha cama, tentando assimilar tudo o que se passou durante esse dia, tentando entender a fantasia e a realidade, tentando buscar algum sentido a tudo isso. Na verdade eu estou querendo juntar os pedaços que deixei para trás ao longo desses anos todos, estou querendo apenas ser inteira novamente

Devaneios da Nathy

A brisa do mar

A brisa do mar

Olho para o mar quando não consigo olhar para mim. Procuro em suas ondas as respostas que a vida ainda não me deu. A sua brisa é o aconchego que preciso nos dias ensolarados. Talvez eu seja como ele, imensa, complexa e confusa. Posso te afundar em meus devaneios, ou até mesmo me perder nas minhas profundezas. Só há um meio de me decifrar, só há uma forma de me amar. Mergulhe em minhas águas, e me encontre. Não se preocupe, não vou lhe ferir e nem te perder de vista.

Devaneios da Nathy

O Medo

 

A verdade é que eu tenho medo. É medo sim. De que? De tudo um pouco, tenho medo de escuro, medo de filme de terror, medo de ficar sozinha. Mas o meu medo maior é o de demonstrar, sou complicada eu sei, mais tenho medo de expor meus sentimentos, de sair gritando para os quatro cantos o que eu sinto. Isso me incomoda um pouco, ele sufoca às vezes me engasgo com o que sinto. É difícil aprisionar tudo que eu sinto aqui dentro do peito. Mas às vezes eu vejo um lado bom nesse meu medo. Segurança, eu me sinto mais segura em perceber que ninguém sabe das minhas dores de amor, dos meus choros de saudade. Acho que o meu medo começa aí, eu tenho receio em me machucar, em expor o ‘amor’ e ser incompreendida. Talvez tudo isso sirva de lição agora. Acredito que com o tempo eu vá me soltando, vou me desprendendo das minhas próprias amarras, e vou aprendendo a ser livre por completo, a amar de peito aberto, sem medo, sem quedas.

Devaneios da Nathy

Fracasso

Fracasso

E ela tinha tantos planos, tantos sonhos. Ela aprendeu com a vida que ela podia sim alcançar tudo aquilo que almejava. Ela aprendeu que os sonhos eram muito mais que apenas delírios noturnos, eles podiam ser reais. Ela realmente acreditou em si mesma, ela se viu capaz de concretizar suas vontades. Ela foi atrás do que lhe faltava, ela foi se completando a cada passo que dava, a cada realização. Mais ela não previa o futuro, ela nunca imaginou que ele seria capaz de machuca-la, ela nunca imaginou que iria se decepcionar profundamente, ela não esperava por essa queda. Foi como tirar doce da boca de criança, poderia ser comparado a uma queda livre sem pára-quedas. Doeu sim, doeu muito, e ainda doí. É o tipo de tombo que deixa marcas, aquelas invisíveis, que se encontram na alma. Ela nunca imaginou que um sonho se tornaria um pesadelo, ela nunca imaginou que um dia o fracasso a pegaria no colo.

Devaneios da Nathy

Acordar

Acordar

Olhos fechados, minha mente voa para longe, tão longe que mal consigo me conectar a ela. Um vôo livre, sem pausas, sem destino. E em segundos, ela está de volta, abro os olhos e me deparo com a luz vibrante do sol em minha face. Sinto-me fora de órbita, o sol aos poucos vai tomando o seu rumo e minha visão começa a reconhecer os objetos. Viro-me devagar percebendo que continuava ali envolta do meu aconchegante edredom. Mais um sonho estranho, restava apenas aquela velha e conhecida sensação de vazio. Ainda faltava algo, e me pergunto o que faz a minha mente vagar para tão longe, o que ela procura? Balanço a cabeça com força, tentando dissipar qualquer pensamento abstrato, então tomo coragem e levanto da minha adorável cama. Mas antes paro diante de um espelho e confronto a minha imagem impressa nele. Eu continuava com a mesma aparência de sempre, apenas algumas olheiras a mais, mais se eu olhasse a fundo, ia perceber a falta do brilho que o meu olhar emanava a alguns anos atrás, podia perceber que os mesmos estavam frios, fundos e sem expressão. Continuei ali a fitar o meu reflexo, e então falei baixinho, como um sussurro: “Preciso me encontrar, preciso encontrar essa minha parte que a minha mente tanto procura, preciso me achar novamente”.

Devaneios da Nathy

O Vento

O Vento

E os dias andam passando vagarosamente. Digo isso porque me vejo fora deles, me vejo fora do lugar,fora de órbita. É como se a cada hora eu perdesse um pouco mais, um pouco mais de mim. É como se o vento fosse me levando para longe, me carregando com ele. É como se ele precissa-se de mim, ele anda me aprisionando. Me vejo perdida dentro de meus devaneios, perdida em um labirinto que eu mesma criei, que eu mesma entrei. Não sei onde está a saída, eu não encontro mais, ele é tão grande e tão gélido, que as vezes eu me escondo. Tento achar proteção em suas curvas, tento achar saída em sua imensidão. Talvez eu esteja mesma perdida, talvez eu esteja mesmo confusa, ou talvez eu esteja apenas precisando que o tempo pare, e que o vento me mostre tudo o que perdi durante todos esses anos.