Devaneios da Nathy

Pedaços

Pedaços

Um dia comum, o retrato de uma família unida reluzia no vidro do porta-retratos, que enfeitava a estante daquela sala tão harmônica. Meus olhos ficaram presos e imersos na felicidade que estava estampada naquela fotografia, por alguns minutos. Pensei que tal interesse e atenção fosse algo natural, afinal era uma bela imagem. Distanciei-me do cômodo e voltei a minha intrigante realidade. As horas passaram e a rotina manteve-se longe nesse longo e confuso dia. Já era tarde quando voltava para casa, estava fazendo um caminho diferente nessa noite, não sei por que mais senti vontade de vislumbrar o mar. Foi nesse instante que a natureza me envolveu delicadamente, o barulho das ondas do mar ecoavam em meus ouvidos, as árvores dançavam silenciosamente na companhia do vento. E foi neste momento, encostada naquele vidro, imersa naquela paisagem deslumbrante que mais uma vez eu me senti oca. A sensação era como se eu estive me observando, como se eu fizesse parte daquela cena, era como se estive imersa naquelas águas, envolta pelas lembranças fantasiosas da minha alma. Sem muito pensar, troque de posição bruscamente, voltando assim a minha realidade. Agora estou aqui, deitada novamente em minha cama, tentando assimilar tudo o que se passou durante esse dia, tentando entender a fantasia e a realidade, tentando buscar algum sentido a tudo isso. Na verdade eu estou querendo juntar os pedaços que deixei para trás ao longo desses anos todos, estou querendo apenas ser inteira novamente

Devaneios da Nathy

A brisa do mar

A brisa do mar

Olho para o mar quando não consigo olhar para mim. Procuro em suas ondas as respostas que a vida ainda não me deu. A sua brisa é o aconchego que preciso nos dias ensolarados. Talvez eu seja como ele, imensa, complexa e confusa. Posso te afundar em meus devaneios, ou até mesmo me perder nas minhas profundezas. Só há um meio de me decifrar, só há uma forma de me amar. Mergulhe em minhas águas, e me encontre. Não se preocupe, não vou lhe ferir e nem te perder de vista.

Devaneios da Nathy

O Medo

 

A verdade é que eu tenho medo. É medo sim. De que? De tudo um pouco, tenho medo de escuro, medo de filme de terror, medo de ficar sozinha. Mas o meu medo maior é o de demonstrar, sou complicada eu sei, mais tenho medo de expor meus sentimentos, de sair gritando para os quatro cantos o que eu sinto. Isso me incomoda um pouco, ele sufoca às vezes me engasgo com o que sinto. É difícil aprisionar tudo que eu sinto aqui dentro do peito. Mas às vezes eu vejo um lado bom nesse meu medo. Segurança, eu me sinto mais segura em perceber que ninguém sabe das minhas dores de amor, dos meus choros de saudade. Acho que o meu medo começa aí, eu tenho receio em me machucar, em expor o ‘amor’ e ser incompreendida. Talvez tudo isso sirva de lição agora. Acredito que com o tempo eu vá me soltando, vou me desprendendo das minhas próprias amarras, e vou aprendendo a ser livre por completo, a amar de peito aberto, sem medo, sem quedas.