E ela tinha tantos planos, tantos sonhos. Ela aprendeu com a vida que ela podia sim alcançar tudo aquilo que almejava. Ela aprendeu que os sonhos eram muito mais que apenas delírios noturnos, eles podiam ser reais. Ela realmente acreditou em si mesma, ela se viu capaz de concretizar suas vontades. Ela foi atrás do que lhe faltava, ela foi se completando a cada passo que dava, a cada realização. Mais ela não previa o futuro, ela nunca imaginou que ele seria capaz de machuca-la, ela nunca imaginou que iria se decepcionar profundamente, ela não esperava por essa queda. Foi como tirar doce da boca de criança, poderia ser comparado a uma queda livre sem pára-quedas. Doeu sim, doeu muito, e ainda doí. É o tipo de tombo que deixa marcas, aquelas invisíveis, que se encontram na alma. Ela nunca imaginou que um sonho se tornaria um pesadelo, ela nunca imaginou que um dia o fracasso a pegaria no colo.
Mês: agosto 2012
Acordar

Olhos fechados, minha mente voa para longe, tão longe que mal consigo me conectar a ela. Um vôo livre, sem pausas, sem destino. E em segundos, ela está de volta, abro os olhos e me deparo com a luz vibrante do sol em minha face. Sinto-me fora de órbita, o sol aos poucos vai tomando o seu rumo e minha visão começa a reconhecer os objetos. Viro-me devagar percebendo que continuava ali envolta do meu aconchegante edredom. Mais um sonho estranho, restava apenas aquela velha e conhecida sensação de vazio. Ainda faltava algo, e me pergunto o que faz a minha mente vagar para tão longe, o que ela procura? Balanço a cabeça com força, tentando dissipar qualquer pensamento abstrato, então tomo coragem e levanto da minha adorável cama. Mas antes paro diante de um espelho e confronto a minha imagem impressa nele. Eu continuava com a mesma aparência de sempre, apenas algumas olheiras a mais, mais se eu olhasse a fundo, ia perceber a falta do brilho que o meu olhar emanava a alguns anos atrás, podia perceber que os mesmos estavam frios, fundos e sem expressão. Continuei ali a fitar o meu reflexo, e então falei baixinho, como um sussurro: “Preciso me encontrar, preciso encontrar essa minha parte que a minha mente tanto procura, preciso me achar novamente”.
